O Prêmio SESI ODS 2025 e sua Importância
O Prêmio SESI ODS 2025 destaca projetos que contribuem para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). Este prêmio não apenas reconhece iniciativas educacionais que buscam promover a equidade social e a justiça, mas também serve como um incentivo para outras instituições educacionais que desejam seguir o mesmo caminho. A conquista do Prêmio pela Marista Escola Social Ecológica, localizada em Almirante Tamandaré, é uma marca significativa, pois evidencia a capacidade das instituições escolares de se comprometerem com a transformação social.
O projeto “Educação Antirracista – Educação e Ancestralidade” implementado pela escola, busca combater o racismo estrutural por meio da educação, reconhecendo a importância da ancestralidade afro-brasileira e promovendo uma educação inclusiva e de qualidade. Este tipo de iniciativa é vital em uma sociedade que ainda enfrenta desafios relacionados à desigualdade racial e à discriminação. A valorização do conhecimento ancestral e a inclusão de práticas educativas que considerem as diversidades culturais, contribuem para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.
O reconhecimento pelo Prêmio SESI ODS 2025 evidencia a importância da educação como ferramenta de mudança social e reforça que um comprometimento ativo com os ODS é fundamental para o desenvolvimento de práticas sociais eficazes. Além disso, a premiação promove um espaço de visibilidade para práticas que podem inspirar outras escolas a desenvolverem projetos semelhantes, ampliando assim o impacto positivo na sociedade.

Educação Ancestral: Conceito e Práticas
A educação ancestral é um conceito que se refere à valorização e disseminação do conhecimento, cultura e práticas de grupos étnicos, especialmente das comunidades afro-brasileiras em um contexto educacional. Essa abordagem busca reconhecer as contribuições históricas e culturais desses grupos, que muitas vezes foram marginalizados na educação formal. A prática essencial da educação ancestral envolve a inclusão de conteúdos que abordam a História e Cultura Afro-Brasileira, promovendo uma formação que respeite a diversidade e a identidade cultural dos estudantes.
Os objetivos da educação ancestral incluem: valorização da identidade cultural, combate ao racismo, promoção da equidade e inclusão social. Na prática, isso se manifesta em ações como atividades que exploram tradições afro-brasileiras, oficinas de capoeira, culinária afro-brasileira, literatura de autores negros, palestras sobre a história afro-brasileira e outras iniciativas que permitem aos alunos reconhecer e respeitar suas raízes culturais.
No projeto da Marista Escola Social Ecológica, a educação ancestral é integrada ao currículo escolar, utilizando metodologias que envolvem formações teóricas e práticas, projetos interdisciplinares e interação com a comunidade. Assim, os alunos são incentivados a se tornarem protagonistas de suas aprendizagens, reconhecendo a importância de seu legado cultural enquanto também atuam na promoção de uma convivência mais harmônica e respeitosa entre diferentes raças e culturas.
Impacto do Projeto na Comunidade Local
O projeto “Educação Antirracista – Educação e Ancestralidade” teve um impacto considerável na comunidade local de Almirante Tamandaré. Desde sua implementação, cerca de mil pessoas, incluindo estudantes, educadores e familiares, foram diretamente beneficiadas. A proposta de uma educação que promove justiça racial e étnico-racial tem mostrado resultados positivos, como um aumento na conscientização sobre a importância da diversidade cultural e na redução de situações de preconceito e racismo entre os alunos.
Além disso, a proposta busca estreitar os laços entre a escola e a comunidade, através de ações que envolvem as famílias, como cafés literários e mostras culturais. Tais iniciativas promovem um diálogo aberto e construção de relacionamentos mais fortes entre a escola e a comunidade, resultando em um ambiente educacional mais acolhedor e inclusivo.
A interação entre os alunos e a comunidade se dá também por meio de ações culturais, onde os estudantes têm a oportunidade de se apresentar em desfiles afro e degustações da culinária local. Estas atividades não apenas celebram a cultura afro-brasileira, mas também promovem o orgulho e a autoestima dos alunos, além de fomentar a reflexão sobre questões étnico-raciais, fortalecendo assim a identidade coletiva.
Formação de Educadores e Inclusão
Um dos pilares do projeto “Educação Antirracista – Educação e Ancestralidade” é a formação continuada dos educadores. O projeto propõe uma metodologia inovadora que combina formações teóricas com práticas concretas dentro da sala de aula. Essa abordagem busca sensibilizar e capacitar os educadores para que possam lidar de maneira crítica e reflexiva sobre temas relacionados ao racismo, à diversidade e à inclusão.
A formação inclui palestras, aulas e discussões que estimulam a reflexão contínua sobre as dinâmicas de poder que permeiam a educação. Assim, os educadores são capacitados para promover um ambiente de aprendizado que se sustente em valores de respeito, empatia e justiça. Essa formação é crucial, pois os educadores atuam como mediadores do conhecimento e têm um papel vital na modelagem das atitudes e comportamentos dos alunos.
A inclusão também é uma prioridade, com ações específicas para garantir que todos os estudantes, independente de sua origem étnica ou social, tenham acesso à educação de qualidade. A abordagem inclusiva visa criação e desenvolvimento de um espaço escolar onde todos possam se sentir seguros e respeitados, independentemente de suas diferenças. Ao promover uma educação inclusiva, a escola não apenas atinge seus objetivos pedagógicos, mas também é um agente ativo de mudança social.
Práticas Pedagógicas Antirracistas
As práticas pedagógicas antirracistas são uma parte central do projeto da Marista Escola Social Ecológica. A metodologia aplicada busca desconstruir as narrativas tradicionais que muitas vezes perpetuam estereótipos raciais e promove a valorização da diversidade. Tais práticas incluem a reavaliação dos conteúdos abordados nas aulas, de modo a incluir a história e a cultura afro-brasileira de forma ampla e crítica.
Uma das abordagens utilizadas é a implementação de projetos interdisciplinares que conectam temas da educação antirracista a diferentes áreas do conhecimento, como arte, história e ciências. Os alunos são incentivados a explorar suas próprias identidades e reflexionar sobre como a cultura influencia suas vidas. Além disso, são realizadas rodas de conversa e leituras mediadas que propõem discussões sobre a importância da diversidade, respeitando as vozes dos alunos.
As atividades de prática pedagógica antirracista têm mostrado resultados efetivos, pois pedagógicamente extrapolam os limites da sala de aula, e buscam atingir um número maior de estudantes, educadores e familiares, estimulando uma cultura de respeito e inclusão em todo o ambiente escolar. O propósito é tornar as práticas cotidianas das escolas um espaço onde as relações são construídas com base em respeito, acolhimento e pluralismo.
Relação entre Escola e Território
A relação entre a Marista Escola Social Ecológica e o seu território local é um elemento fundamental para o sucesso do projeto “Educação Antirracista – Educação e Ancestralidade”. A escola está inserida em um contexto de vulnerabilidade social, onde a formação e desenvolvimento de ações que considerem tais características são essenciais para transformar realidades. O projeto visa fortalecer os vínculos entre a escola e a comunidade local, reconhecer as potencialidades do território e construir uma rede de apoio sólida.
A escola realiza diversas atividades que visam não apenas educar, mas também envolver os moradores da comunidade. As oficinas culturais, desfiles, apresentação de capoeira e degustações da culinária afro-brasileira são exemplos de ações que não só promovem a cultura local, mas também fortalecem o pertencimento da comunidade ao espaço escolar. Essa interação cria um ambiente onde o conhecimento ancestral é celebrado e valorizado, contribuindo para uma educação mais rica e diversificada.
Além disso, o Comitê Local de Educação Antirracista, que coordena as ações do projeto, é composto por membros da comunidade, o que garante que as decisões e estratégias adotadas sejam alinhadas às realidades e necessidades locais. Essa inclusão ativa da comunidade na gestão do projeto é um passo relevante para garantir que as soluções educacionais sejam de fato eficazes e significativas.
Como o Projeto Abordou o Racismo Estrutural
O racismo estrutural é um dos principais desafios que a educação brasileira enfrenta. O projeto “Educação Antirracista – Educação e Ancestralidade” é um esforço consciente para enfrentá-lo, através da promoção de uma educação que não apenas reconhece, mas também combate as injustiças raciais. Para abordar esse fenômeno, a escola implementa iniciativas que visam desconstruir as narrativas que perpetuam desigualdades e preconceitos.
Parte da estratégia é oferecer formação contínua para educadores, onde são discutidos temas relacionados ao racismo estrutural e realizadas reflexões sobre como o ensino pode reproduzir ou combater essas práticas. O projeto se baseia na legislação vigente, em especial a Lei 10.639/03, que estipula que a história e cultura afro-brasileira devem fazer parte do currículo escolar.
As atividades propostas valorizam a ancestralidade afro-brasileira e a cultura local, de forma que os alunos tenham a oportunidade de conhecer e reconhecer suas raízes, promovendo a autoestima e o respeito por suas identidades. A construção de uma cultura escolar antirracista deve ser uma prioridade, e a Marista Escola Social Ecológica se posiciona firmemente nessa direção ao promover um aprendizado envolvente, que estimula a empatia, o respeito e a solidariedade entre os alunos.
Resultados Alcançados até Agora
A implementação do projeto “Educação Antirracista – Educação e Ancestralidade” resultou em uma série de mudanças significativas dentro da Marista Escola Social Ecológica. Algumas dessas mudanças incluem a transformação das práticas pedagógicas para uma perspectiva antirracista e a crescente participação da comunidade escolar. Os resultados alcançados refletem o esforço conjunto de educadores, alunos e familiares para promover uma cultura educacional que valorize a diversidade e combata o preconceito.
Os relatos dos alunos e educadores apontam para uma redução significativa de situações de preconceito e discriminação dentro da escola. Além disso, observa-se uma ampliação da escuta ativa entre os envolvidos, promovendo um aumento no engajamento da comunidade escolar. Esses resultados demonstram que a proposta tem sido bem sucedida em estabelecer relações de respeito e colaboração entre os diversos grupos que compõem a comunidade escolar.
Outro aspecto importante a ser destacado é a formação do Comitê Local de Educação Antirracista, que tem se tornado um espaço efetivo para o diálogo e a construção coletiva de ações que visam fortalecer a percepção sobre a importância da equidade étnico-racial. As atividades de formação e intercâmbio cultural estão contribuindo para o fortalecimento dos laços entre a escola e a comunidade, garantindo que ações futuras sejam elaboradas com base em uma compreensão profunda das dinâmicas locais.
Perspectivas Futuras para o Projeto
As perspectivas futuras para o projeto “Educação Antirracista – Educação e Ancestralidade” são animadoras. Com a base já estabelecida, a expectativa é expandir as ações e ampliar o alcance do projeto, impactando ainda mais pessoas na comunidade. Um dos objetivos é continuar promovendo a formação contínua de educadores, garantindo que novas práticas pedagógicas antirracistas sejam sempre incorporadas ao cotidiano escolar.
Além disso, é fundamental que a escola busque parcerias com outras instituições educacionais, culturais e sociais, para construir uma rede colaborativa em torno da educação antirracista. Essas parcerias podem proporcionar novos recursos e experiências que enriquecem ainda mais o processo educativo. A realização de eventos, mostras culturais e feiras de saberes pode se tornar uma prática frequente, propiciando uma troca contínua de conhecimentos entre alunos, educadores e a comunidade.
Outro ponto importante é que a Marista Escola Social Ecológica continue a promover a pesquisa e a reflexão sobre as práticas educativas em um contexto de diversidade. O incentivo à pesquisa sobre as temáticas étnico-raciais e a promoção de publicações que compartilhem esses conhecimentos podem contribuir significativament
e para a formação de uma nova geração de educadores e estudantes mais conscientes e engajados com as questões de justiça social.
Compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
A iniciativa da Marista Escola Social Ecológica está diretamente alinhada com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, em especial os ODS 4, 10 e 18, que tratam sobre a garantia de uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade, a redução das desigualdades e a promoção da valorização da ancestralidade. O projeto não só reforça a importância da inclusão e da equidade no espaço escolar, mas também evidencia o papel da educação como ferramenta de transformação social.
Ao buscar promover uma educação que reconhece e valoriza a diversidade cultural, e ao fomentar um ambiente acolhedor e respeitoso, a escola contribui para a construção de uma sociedade mais justa. Esse compromisso é fundamental para que as novas gerações cresçam com uma consciência crítica e engajada na luta contra as desigualdades.
Portanto, o projeto “Educação Antirracista – Educação e Ancestralidade”, celebrado pelo Prêmio SESI ODS 2025, representa uma esperança e um passo importante em direção à construção de um futuro em que todos possam aprender e prosperar, independente de sua origem étnica ou social. A educação, quando realizada com um propósito de justiça e equidade, tem o potencial de transformar realidades e criar novas possibilidades para todos.


